O conhecimento se dá em deslocamento. Conhecer é saber quem fala e de que mundo fala. É preciso personificar para conhecer. Um modo de conhecer que é completamente diferente do ocidental cartesiano, onde para conhecer é preciso objetificar. “A forma do outro é a pessoa”. Nesse deslocamento em direção ao desejo de conhecer o outro e sua dor (axyrai), para criar pontes e derrubar muros entre o eu e o outro, nasce esse projeto. O ritual de queima de tela é uma ponte para compreender e se relacionar, a partir da dor de ter seu território queimado. O artista Carlos Bobi ( Jurua Ava) e o artesão e indígena Miguel Verá Mirim se colocaram numa situação para o entendimento de como seus territórios

emocionais são cheios de diferenças e complexidades, mas podem se tocar através da empatia e da alteridade, que nada mais é que reconhecer-se no outro. Para entender como os Guarani se relacionam com o território é preciso falar sobre yvy - que quer dizer terra- e tekohá - que para eles é seu território, distinto de terra -. Teko está relacionado à cultura, tekoha é um habitat simbólico no qual se desenvolve o modo de ser bom e pleno (teko) guarani. Tudo isso indica que para os guaranis, território é o lugar onde passaram tempo ali, onde estão enterrados seus antepassados, água corrente e todo o necessário para seu sustento. teko porã – tekó (“nossa maneira de viver”) y porã (ao mesmo tempo, “belo”e “bom”) –, um termo que significa viver bem, ou bom viver, algo similar a nossa “qualidade de vida” (...) ( Escobar, Tício, 2013). Isso significa dizer que, mais que um conceito geográfico ou político, a relação dos Guarani com a seu território não se acaba nos limites do mapa ou da pele, território para os Guarani é onde estão seus antepassados, sua história, suas condições de sustento e onde se relacionam. Impossível remover a “terra” Guarani sem que com essa remoção seja violentado também sua história, memória, afeto corporalidade.

"A potência da dor"

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